Ômicron: o que se sabe sobre a nova variante encontrada na África do Sul


Uma nova variante do coronavírus, B.1.1.529, foi detectada na África do Sul, segundo confirmou o Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis (NICD), da agência sul-africana National Health Laboratory Service, nesta quinta-feira (26).


A cepa, batizada de Ômicron pela Organização Mundial de Saúde (OMS), está sendo investigada por cientistas. Ainda não se sabe ao certo se ela é mais perigosa do que outras variações do coronavírus Sars-CoV-2.


Porém, há temores reais de que a variante seja altamente contagiosa, pois apresenta uma “constelação muito incomum de mutações”, informa Túlio de Oliveira, diretor do Centro para Resposta Epidêmica e Inovação, na África do Sul, segundo o The New York Times.


Por onde B.1.1.529 se espalhou?


A princípio, os cientistas identificaram uma rápida propagação da variante entre jovens de Gauteng, a província mais populosa da África do Sul. Já são cerca de 100 casos confirmados, incluindo registros não só no país, como também em Hong Kong e Botswana, de acordo com o site britânico The Guardian.


Joe Phaahla, ministro da saúde sul-africano, informa que as ocorrências agora se concentram na capital da África do Sul, Pretória. Ele afirma, de acordo com o New York Times, que é “apenas uma questão de tempo" antes que a cepa se espalhe por toda a nação, já que logo escolas irão fechar e famílias sairão em temporada de férias.


O surgimento da variante fez com que vários países limitassem viagens vindas do território sul-africano. Em poucas horas, Grã-Bretanha, Israel e Cingapura restringiram viagens na região, incluindo países vizinhos. A Comissão Europeia também deve propor restrições de viagens aéreas devido a preocupações com a variante, segundo comunicou Ursula von der Leyen, a presidente da comissão, no Twitter. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou medidas de restrição para voos e viajantes procedentes da África do Sul, Botsuana, Eswatini, Lesoto, Namíbia e Zimbábue.


Muitas mutações


Considerada um “grande salto na evolução” do Sars-CoV-2, a B1.1.529 POSSUI várias mutações, sendo 30 somente na proteína spike, responsável pela entrada do vírus nas células humanas. Já no receptor ACE2 — uma outra proteína que também ajuda no processo de infecção —, a cepa apresenta 10 alterações. Em comparação, a variante Beta tem três dessas mutações e a variante Delta tem duas.


Os cientistas ainda não sabem se as vacinas são eficazes contra a nova variante, cujas mutações têm a possibilidade de resistir à neutralização do vírus. Mas eles imaginam que a B1.1.529 seja semelhante às variantes Lambda e Beta, ambas associadas à evasão de imunidade, de acordo com Richard Lessells, especialista da Plataforma de Pesquisa e Inovação de Sequenciamento KwaZulu-Natal.


https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude

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