Com pandemia, desemprego bate recorde no Ceará e atinge 549 mil pessoas


O número de desempregos no Ceará bateu recorde no fim do ano passado. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), a taxa de desocupação no Estado ficou em 14,4% no último trimestre de 2020, representando o pior resultado desde 2012, início da série histórica. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Com esta taxa, que representa uma elevação de 4,3 pontos percentuais em relação a igual período do ano anterior, a pesquisa indicou que a população desocupada no Ceará foi estimada em 549 mil pessoas. Ao todo, o dado representa um aumento de 126 mil pessoas desocupadas em relação ao período de comparação.


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A população estimada em idade de trabalhar, no Ceará, de acordo com o IBGE, foi de 7,6 milhões de pessoas. Na comparação com o quarto trimestre de 2019, cerca de 211 mil pessoas foram incluídas nesta faixa pelo instituto. Já em relação ao terceiro trimestre de 2020, houve um crescimento de 86 mil pessoas.


Pessoas ativas no mercado

Já a taxa de ocupação ficou em 42,8%, o que representa uma variação negativa de 8 pontos percentuais no quarto trimestre do ano passado ante igual período de 2019. O dado representa um total de 3,3 milhões de pessoas, mas também indica uma redução de 503 mil no comparativo aos três meses de 2019.


Em relação à média anual, o IBGE indicou que a taxa de ocupação ficou próxima ao resultado do último levantamento. A Pnad Contínua indicou uma média de 43,7%, o que indica um número que ficou 6,7 pontos percentuais abaixo do registrado em 2012 (50,2%).


Apesar da redução da taxa de desocupados, o IBGE indicou uma melhora no fim de 2020.



Entre o terceiro e o quarto trimestre de 2020, houve uma inclusão de 126 mil pessoas (29,9%) na população ocupada no Estado.


Empregos no setor privado

O número de pessoas empregadas no setor privado foi estimado em mais de 1,4 milhão, sendo que a maioria delas foi indicada no regime formal. Ao todo, 57,1% das pessoas estão trabalhando com carteira assinada, enquanto 42,9% fora do regime formal.


O IBGE também indicou que o número de empregados com carteira assinada encolheu 18,2% no último trimestre de 2020 ante igual período do ano anterior.


Mercado informal

Já a taxa de informalidade ficou em 52,9% da população ocupada no Ceará.


"Para o cálculo da proxy de taxa de informalidade da população ocupada são consideradas as seguintes populações: empregado no setor privado sem carteira de trabalho assinada; empregado doméstico sem carteira de trabalho assinada; empregador sem registro no CNPJ; trabalhador por conta própria sem registro no CNPJ; trabalhador familiar auxiliar", explica o IBGE em nota.


O dado é apontado com preocupação pelo economista Aléx Araújo. Ele ponderou que o número de pessoas na informalidade indica contingente considerável de pessoas sem apoio formal do Estado, dado pelo regime formal, o que eleva o número de pedidos por benefícios de transferência de renda, como o auxílio emergencial.


"A estrutura do mercado de trabalho do Ceará é muito informal, então isso significa que o auxílio é mais importante que na média do Brasil, então o impacto (do retorno do benefício) tende a ser maior. Mas voltamos para a pergunta se o novo valor será adequado. Se for, teremos uma resposta boa, mas se não for teremos apenas uma parte do problema solucionada. As famílias podem acabar se endividando caso esse valor seja inadequado", explicou Araújo.


Diário do Nordeste

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