Lira e Pacheco ameaçam barrar votações do Planalto se não houver controle da pandemia


Em reunião nesta quarta-feira com o presidente Jair Bolsonaro, os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira (PP-AL) e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), pretendem alertar que, se o governo não conseguir controlar a pandemia, verá ficar comprometida a agenda de votações importantes para o Palácio do Planalto, como as reformas administrativa e tributária. Eleitos com o apoio do governo, Lira e Pacheco têm buscado descolar suas imagens da de Bolsonaro, em meio à piora da crise sanitária.


Insatisfeito com a escolha de Marcelo Queiroga para o Ministério da Saúde, Lira tem afirmado a interlocutores que não há como o Congresso tratar de outros temas enquanto o país bate recorde de mortes. Pacheco, que tem feito seguidas críticas públicas à condução das ações relativas à pandemia, afirmou ontem que é preciso fazer um pacto para evitar que o país se direcione para o caos.


— (A expectativa é) dar conta desse desafio e dessa solução a partir de um pacto nacional que envolva um conceito muito importante que é o da união. Há dois caminhos que podemos perseguir no Brasil neste momento: o da união nacional e o do caos nacional e aí cabe a nós decidirmos — afirmou o presidente do Senado, em evento promovido pelo jornal “Correio Braziliense”.


Jair Bolsonaro entre o presidente da Câmara, Arthur Lira, e o do Senado, Rodrigo Pacheco Foto: Pablo Jacob


O discurso sobre a possibilidade de se comprometer a agenda proposta pelo governo já começou a ser feito por aliados de Lira.


— O Congresso não vai ter condições de funcionar na sua plenitude e votar reformas, enquanto não controlar e encontrar soluções para a pandemia. Vamos ficar o tempo inteiro debatendo questões da pandemia — avalia Margarete Coelho (PP-PI), uma das parlamentares mais próximas a ele.


Ciente da opinião dos convidados sobre a pandemia, Bolsonaro quer fazer uma prestação de contas, destacando medidas que o governo tomou e quais os próximos passos. O principal discurso do Planalto no momento é que há esforço para dar ritmo à campanha de vacinação.


Lira e Pacheco levarão a Bolsonaro sugestões de donos de hospitais privados, de planos de saúde e de bancos. Um dos pleitos é que empresas possam comprar vacinas diretamente com fabricantes para aplicar em seus funcionários. O grupo argumenta que as vacinas seriam compradas diretamente com fabricantes e que o impacto nos postos de vacinação seria positivo, reduzindo a demanda na rede púbica.


Do Globo

3 visualizações0 comentário