Lula se coloca como contraponto a Bolsonaro e ataca Moro


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a atacar hoje o ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro, criticou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e agradeceu ao ministro Edson Fachin, do STF (Supremo Tribunal Federal), em seu primeiro pronunciamento após a anulação das condenações na Lava Jato.


Sem citar a eleição de 2022 em sua fala inicial de cerca de uma hora e meia, Lula falou como candidato. Relembrou seus anos de governo e pregou a união entre os brasileiros, em uma cutucada ao atual presidente. Mas o principal alvo foi mesmo Moro e a Lava Jato.


Sei de que fui vítima da maior mentira jurídica contada em 500 anos de história [do Brasil]

Em discurso na sede do sindicato dos metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, o ex-presidente declarou também que ainda espera que Moro seja considerado um juiz parcial.

Nós vamos continuar brigando para que o Moro seja considerado suspeito, porque ele não tem o direito de se transformar no maior mentiroso da história do Brasil e ser considerado herói por aqueles que queriam me culpar. Deus de barro não dura muito tempo.

“Tenho certeza que hoje ele [Moro] deve estar sofrendo muito mais do que eu sofri. Tenho certeza que o [procurador Deltan] Dallagnol está sofrendo muito mais do que eu sofri, porque eles sabem que cometeram erros, e sabia que não tinha cometido erros”, disse o presidente.


Lula ganha munição extra para atacar Bonner e a Globo


Globo e a imprensa

O que é engraçado é que durante longos cinco anos amplos setores da imprensa não exigiram nenhuma veracidade do Moro, dos procuradores, da Polícia Federal para divulgar as mentiras que eles contavam ao meu respeito.


O petista declarou que “pela primeira vez a verdade prevaleceu” e elogiou a TV Globo.

Fiquei muito feliz porque depois da divulgação de tanta mentira contra mim, ontem acho que nós tivemos um Jornal Nacional épico. Acho que quem assistiu televisão não estava acreditando no que estava vendo. Pela primeira vez a verdade prevaleceu. Dita não por alguém do PT, dita pelo presidente da Segunda Turma do STF, no discurso do Gilmar Mendes, dita pelo Ricardo Lewandowski, e dita até pela Cármen Lúcia que nunca tinha visto nada igual aquilo


Agradecimento ao Fachin

O ex-presidente também a gradeceu ao ministro Fachin, que anulou as sentenças contra o petista, mas criticou a demora na decisão.


Anteontem foi um dia gratificante. Sou agradecido ao ministro Fachin porque ele cumpriu uma coisa que a gente reivindicava desde 2016. A decisão que ele tomou, tardiamente, cinco anos depois, ela foi colocada por nós desde 2016

“Brasil está sem governo”, diz Lula


Governo Bolsonaro

Em sua fala, Lula relembrou seus oito anos à frente do Brasil e procurou, sempre que pode, fazer um paralelo com o governo Bolsonaro, e acenou para os mais diferentes setores.

Para governar um país, um presidente da república tem que conversar com os sindicalistas, tem que conversar com os empresários. Me parece que o Bolsonaro só conversa com o Loro da Havan. Não tem reunião produtiva com empresários.


Eu tinha um conselho com cem pessoas que participava dirigente de sindicato, empresários, índio, pastor, padre, bispo, negro, porque eu queria ouvir a sociedade. Bolsonaro não junta ninguém. Junta milicianos não mostra a cara nas entrevistas dele para dizer: ‘Vai ter mais armas, estou liberando mais quatro armas, logo logo vai ter canhão para todo mundo

“Este povo não está precisando de armas, tá precisando de emprego, carteira profissional, salário, livro. O estado tem que estar presente na periferia desse país. Será que o Bolsonaro não leu nada do que a gente fez?”, ironizou Lula.


Lula mostrou ainda sua força internacional nos agradecimentos. Citou o presidente Alberto Fernandez, presidente argentino, que veio ao Brasil visitá-lo na cadeia no meio da sua campanha presidencial, em 2019, e agradeceu ao papa Francisco, que também lhe enviou uma carta no período.


O ex-presidente citou ainda o democrata norte-americano Bernie Sanders, o ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, que comemorou ontem a anulação das condenações, entre outros artistas e intelectuais do Brasil e do mundo, como o linguista Noam Chonsky, o escrito Raduan Nasser e os músicos Chico Buarque e Martinho da Vila.


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