POLITICA: Cotada para Saúde já criticou Bolsonaro: “Governo faz tudo errado”


Médica Cardiologista e intensivista lamenta que presidente e governadores se mantenham em briga quando esforços deveriam estar voltados ao combate da Covid-19 no Brasil, a aquisição de vacinas e a necessidade de adotar medidas protetivas

Do Jonal Opção — Anapolina Ludhmila Abrahão Hajjar está na linha de frente no tratamento de pacientes com Covid-19 desde o início da pandemia no Brasil, entre fevereiro e março de 2020. Médica cardiologista e intensivista que atua em São Paulo, Hajjar é uma das referências na doença. Professora associada da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM/USP), a goiana diz que o Brasil apresentou avanços no tratamento da Covid-19 em um ano, mas apresentou retrocessos nas medidas sanitárias e sociais de contenção do avanço do coronavírus (Sars-CoV-2). “Foi uma ineficiência na adoção de medidas que poderiam ter minimizado muito a prevalência da doença”, lamenta a médica supervisora da Cardio-Oncologia do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas (HC-FM/USP). Coordenadora da Cardiologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), Ludhmila Hajjar critica o momento que vivemos na pandemia. “Hoje temos um número muito pequeno da população vacinada. Isso tudo tem um resultado hoje catastrófico, que estamos, infelizmente, assistindo no nosso dia a dia.” Para a vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Cardiologia da FM/USP e diretora de Ciência, Inovação e Tecnologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o Brasil perde muito em gastar energia e assistir a presidente e governadores em guerra para discutir quem deu mais ou menos dinheiro para combater a Covid-19. “Tem de haver um plano organizado e sistemático”.

“O Brasil deveria estar hoje com cinco ou seis vacinas disponíveis”, observa Hajjar,“A questão de fazer lockdown e toque de recolher tem de ser tratado Estado por Estado, semana a semana, pelos técnicos e cientistas locais. Não acredito que deve haver uma medida nacional única que sirva para todo o Brasil. Tem de ser tratado individualmente”, avalia a cardiologista e intensivista goiana.

Formada pela Universidade de Brasília (UnB), com residência em Clínica Médica no HC-FM/USP e em Cardiologia no InCor da Universidade de São Paulo, Hajjar diz que, mesmo com todo o cenário catastrófico vivido pelo Brasil com combate à pandemia, ainda confia que a situação pode mudar. “Eu sempre acredito. Não digo reverter, mas minimizar a gravidade, reduzir o tamanho da perda. Tem de haver uma transformação da sociedade como um todo.”

Especialista em Clínica Médica, Cardiologia, Terapia Intensiva, Medicina de Emergência e Livre-Docência em Cardiologia Crítica pela Faculdade de Medicina da USP, a anapolina não pouca crítica aos médicos que defende o ineficaz tratamento precoce contra a doença. “Imagine, Augusto, se só o Brasil teria a cura dessa doença! Só os instagrammers, tuiteiros e os youtubers brasileiros saberiam como tratar a fase precoce. Isso é uma vergonha internacionalmente discutida.

”Para Hajjar, defender e propagar o uso de medicamentos já descartados pela ciência contra a Covid-19 é um ato de ignorância. “É uma conjunção de fatores – o não conhecimento e a não adoção de práticas baseadas em evidências científicas – que só coloca a vida das pessoas em risco”, alerta.


Blog do Ricardo Antunes

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